Capa do artigo sobre o golpe do falso advogado — alerta sobre fraudes

O golpe do falso advogado é uma das fraudes que mais têm crescido no Brasil nos últimos anos, aproveitando-se da confiança que a população deposita em profissionais do direito e da urgência emocional causada por situações de crise. Criminosos se passam por advogados — reais ou inventados — para extorquir dinheiro de vítimas em momentos de vulnerabilidade, como a prisão de um familiar, uma dívida, um processo judicial ou até mesmo um falecimento.

Aviso importante: o Rodrigues & Sarmento Advogados Associados não envia mensagens solicitando pagamentos antecipados em nome de seus advogados. Em caso de dúvida, ligue diretamente para (22) 3831-3689.

Como o golpe costuma funcionar

Embora existam diversas variações, o golpe geralmente segue um roteiro parecido:

  1. Contato inesperado — a vítima recebe uma ligação, mensagem de WhatsApp ou e-mail de alguém que se apresenta como advogado.
  2. Criação de urgência — o golpista alega que um parente está preso, envolvido em acidente, sendo processado ou que existe uma dívida judicial iminente, exigindo solução imediata.
  3. Uso de informações reais — para dar credibilidade, os criminosos costumam citar nomes verdadeiros de familiares, números de processos ou até dados vazados em bancos de dados, fazendo a história parecer legítima.
  4. Pedido de pagamento — a vítima é orientada a depositar ou transferir dinheiro via Pix, boleto ou depósito em conta, sob a justificativa de pagar fiança, honorários, taxas judiciais ou "acordos" para resolver o problema rapidamente.
  5. Pressão e isolamento — durante a ligação, o golpista costuma pedir sigilo ("não conte a ninguém, pode atrapalhar o processo") e mantém a vítima ao telefone, impedindo que ela verifique a informação com outras pessoas.

Variações comuns do golpe

  • Golpe do parente preso — o criminoso afirma que um filho, neto ou cônjuge foi preso e precisa de dinheiro para fiança ou para "resolver" a situação com a polícia.
  • Falso processo judicial — a vítima é informada de que responde a um processo (muitas vezes cível ou trabalhista) e que pode perder um prazo importante caso não pague uma taxa com urgência.
  • Falsa herança ou inventário — o golpista se apresenta como advogado responsável por um inventário e cobra taxas para liberar uma suposta herança.
  • Uso de identidade de advogados reais — em alguns casos, os criminosos usam o nome e o número de OAB de advogados que realmente existem, para dificultar a desconfiança da vítima.
  • Golpe por e-mail ou site falso — mensagens com papel timbrado falsificado, citando escritórios de advocacia conhecidos, para dar aparência de autenticidade.

Sinais de alerta

Alguns elementos costumam indicar que se trata de uma fraude:

  • Pedido de pagamento via Pix, especialmente para contas de pessoa física;
  • Urgência excessiva e pressão para decidir "agora", sem tempo para checar a informação;
  • Pedido de sigilo ou de não contatar outras pessoas da família;
  • Recusa em fornecer dados verificáveis, como número de OAB, nome completo do escritório ou número do processo;
  • Erros de português, formatação estranha em documentos ou e-mails enviados de domínios genéricos (Gmail, Hotmail) em vez de domínios profissionais.

Como se proteger

  • Desconfie de contatos não solicitados. Advogados legítimos, em regra, não entram em contato espontâneo cobrando pagamentos urgentes por telefone ou WhatsApp.
  • Nunca pague nada sob pressão. Interrompa a ligação e verifique a informação com calma antes de qualquer transferência.
  • Confirme diretamente com o familiar envolvido. Ligue para a pessoa supostamente presa ou processada, ou para outros parentes, usando um número já conhecido — não o número passado pelo golpista.
  • Consulte a OAB. É possível verificar se o profissional realmente existe e está regularmente inscrito através do site oficial da Ordem dos Advogados do Brasil (busca de advogados).
  • Verifique processos judiciais nos sites oficiais dos tribunais (consulta processual pública), que são gratuitos e não exigem pagamento para acesso a informações básicas.
  • Desconfie de pedidos de Pix ou depósito em conta de pessoa física para pagamento de honorários, fiança ou taxas judiciais — pagamentos legítimos costumam ter formas de comprovação mais formais.

O que fazer se você for vítima

Caso identifique que caiu no golpe, ou receba uma tentativa de fraude, algumas medidas são recomendadas:

  1. Registrar boletim de ocorrência na delegacia, presencialmente ou pela internet, em delegacias especializadas em crimes cibernéticos, quando disponíveis;
  2. Comunicar o banco imediatamente, solicitando o bloqueio de eventuais transferências e tentando reaver os valores por meio do mecanismo de devolução (MED), previsto para casos de fraude no Pix;
  3. Denunciar à OAB, caso o golpe tenha utilizado o nome de um advogado real, para que a Ordem tome as providências cabíveis;
  4. Buscar orientação jurídica sobre eventuais medidas cabíveis, inclusive quanto à responsabilidade de instituições financeiras em casos de fraude.

Considerações finais

O golpe do falso advogado explora, sobretudo, o medo e a pressa das vítimas diante de situações delicadas envolvendo familiares. Manter a calma, desconfiar de urgências artificiais e sempre verificar informações por canais oficiais são as principais defesas contra esse tipo de fraude. A prevenção, nesses casos, é sempre o melhor caminho — e informar amigos e familiares sobre esse tipo de golpe é uma forma eficaz de reduzir o número de vítimas.